Descrição
Em boa verdade, não seria necessário fazer aqui qualquer apresentação desta obra, de tal modo ela e os seus autores valem e apresentam-se por si mesmos, não carecendo, pois, de acrescentos e encómios. Se o faço, é porque não podia declinar tão honroso convite dos ilustres autores, que amavelmente quiseram associar à sua iniciativa uma outra voz huambuense, mesmo de outra geração. As cinco mãos que se abalançaram a esta apaixonada viagem ao Huambo de então e ao seu Cine Ruacaná são as de Manuel Rui, Artur da Costa, António Faria, António Segadães Tavares e Fernando Oliveira, uns nados e criados no Huambo, ou noutras paragens de Angola ou de Portugal, mas todos estreitamente ligados ao Huambo, aos colégios que aí frequentaram na sua juventude, aos cinemas, às agremiações culturais e desportivas do então distrito. Dali, foram para Universidades no estrangeiro, uns exilaram-se, outros presos pela polícia política, outros desertores da guerra colonial, mas todos com um percurso de vida de amor à terra e à dignidade do povo angolano. As suas narrativas são um regresso aos contos, às tradições, à cultura, aos costumes locais, retratando personalidades de vulto, cujos créditos têm reflexos na produção literária e na cultura em Angola, sendo por isso merecedores de particular reconhecimento e admiração de todos nós. A obra revisita o ontem dos huambuenses, através da reconstrução de vivências, alentos e desalentos, de um ontem, hoje e presente, que nenhum futuro é capaz de apagar, porque completa a história, ao mesmo tempo que apela à consciência daqueles que têm a tarefa de abraçar o imperativo de repor o histórico cinema Ruacaná. A obra pretende ser uma memória futura, criando meios e espaços que propiciem oportunidades aos jovens, dando–lhes voz e vez para a leitura, no país em geral e no Huambo em particular. Ressalta aqui uma lógica cristalina de promoção da literatura de livros, realmente físicos, porque nesta era, onde todo o conhecimento deve ser para todos, sem apoucar a valia do digital, a dimensão física da literatura continua a ser essencia


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